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(mais) 10 perguntas ou afirmações parvas sobre viagens

Depois da primeira edição está na altura de trazer uma segunda! Quem não gosta de se meter na vida alheia que atire a primeira pedra e nós recebemos constantes afirmações e perguntas muito parvas!

1) Mas vocês nunca se cansam?

Claro que cansamos mas descansar é (normalmente) em casa. Há viagens que nos custam muito mas mesmo assim não deixamos de ir.

2) Mas há alguma coisa interessante para ver no sítio X?

Quando saímos do circuito turístico foi das perguntas que mais começaram a fazer. E há sempre algo interessante. Quando não há monumentos há história, há tours, há comida. Lembro-me de TODAS as viagens que fiz! Temos noção que não há catedral de Notre dame em todo o lado mas sem problemas!

3) Vocês devem ganhar um fortuna para viajarem tanto…

Nestas alturas normalmente faço um olhar à matador. Quanto ganhamos é connosco mas posso dizer que somos ambos trabalhadores qualificados. Mas em todas as casas, e a nossa não é exceção, o dinheiro não estica e há cedências. Na minha família quem tem um carro velho sou eu. Não fumo, raramente bebo, compramos uma casa com a qual nos sentíamos confortáveis pagar. E já quando vivia em Portugal, com um salário bem humilde já viajava… Quanto pagamos pelas viagens está aqui no blog, nada escondo.

4) Agora com o Covid vais parar de viajar…

Não, não vamos mudar. Vamos ficar pelo continente europeu porque queremos passar o menos tempo possível dentro de aviões este ano mas ninguém me pára em 2021!

5) Com tanta viagem de certeza que já se esqueceram de alguma!

Não, nós somos mega organizados. Pastas no Dropbox, tudo agendado no calendário, nada falha! A única coisa que falhou foi mesmo uma vez um teatro porque marque no mês errado!

6) Vocês não podem trabalhar a full time com essas viagens todas??

Sim, e mais do que as horas contratadas. Simplesmente trabalhamos os dois em empresas bem generosas no que diz respeito ao número de férias oferecidas e aproveitamos tudo o que é feriado, fim de semana prolongado, trabalhar de casa, etc.

7) Não sentes saudades de casa?

Raramente! Nós amamos a nossa casa, temos investido bastante e torná-la o mais confortável possível para nós, mas gostamos que seja apenas a nossa base para podermos viajar. A única coisa que custa é deixar a gata mas ela adora a cat sitter por isso não é muito mau.

8) Então mas fazes férias fora de Portugal? 

Normalmente esta é feita por pessoas que não conhecem o nosso estilo de vida.

Desde que fizemos a nossa primeira viagem a Portugal desde que saímos do país que percebemos que é horrível passar lá muito tempo. Passamos o tempo todo a correr para no final as pessoas nos cobrarem que não passamos tempo suficiente com eles… A última vez que lá passamos uma semana tive uma dor no peito tão grande que pensei que tinha de ir ao hospital. Era apenas ansiedade. Assim preferimos ir menos tempo, ser tudo a correr mas ir mais vezes. Se as pessoas quiserem passar mais tempo connosco podem vir ter connosco ou fazemos uma viagem juntos, agora passar muito tempo em Portugal não dá. Já nos perguntaram porque não mentimos e não fizemos que estamos lá, não somos desses, lamento! Odiamos jogos de escondidas e sentimento de culpa.

9) Vocês passam demasiado tempo sozinhos porque estão sempre a viajar!

Do meu círculo de amigos a que está sempre a combinar coisas sou eu. A que está sempre do outro lado do telefone sou eu. A que está sempre pronta para ajudar sou eu. E muitas vezes viajamos juntos… Com os primos do J., com amigos…

10) Não sentem culpa porque passam férias em Portugal?

Esta é fácil: sentimos ZERO culpa! No início a família estranhou, como assim emigrantes que não passam férias em Portugal? Mas perceberam rapidamente que quando estamos lá estamos 100% para eles e que para fazer férias a sério vamos para outro lado.

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Como é que tudo começou?

Nunca viajei muito até ser bem crescida. É verdade que havia as férias de verão em Quiaios ou no Algarve mas a verdade é que a minha família nunca viajou assim tanto quando éramos miúdas. No entanto lembro-me de o meu pai viajar pela Europa algumas vezes e ficava doida com os relatos. A primeira viagem que me recordo de ele fazer foi Sevilha em 92 com a minha irmã. Quando eu tinha uns 8 anos foi até Londres com 4 amigos num Fiat Uno! Anos mais tarde acompanhou um amigo que ia dar um concerto em Paris! E outras viagens se seguiram…

Muitos anos mais tarde fui desafiada para ir a Londres. Nunca tinha ouvido falar em low costs, não fazia ideia de como se marcava um bilhete de avião, precisei de uma mala de porão para 5 dias, levei o mundo comigo!! Mas algo ficou dessa viagem, senti que estava a ver o mundo pela primeira vez. Eu que nasci numa vila pequena, senti que aquela viagem me mudou. E se mudou!! Nesse ano ainda visitei Madrid e Barcelona, no ano seguinte Paris e Maiorca mas a primeira vez que senti que podia viajar muito por pouco dinheiro foi quando fizemos o interrail! Lembro-me que odiei a ideia, tentei convencer o J. a não irmos, a fazermos uma viagem semelhante de avião. Como estava enganada! Agora mal posso esperar por fazer outra viagem destas com o meu sobrinho quando ele fizer 18 anos (e se ele quiser, obviamente!).

E por aí, qual foi a viagem que vos fez ficar viciados em viagens?

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E agora os objetivos?

Dá para ver por aqui que sou uma menina de números. Conto países, voos anuais, noites dormidas fora de casa, gastos das viagens entre muito mais coisas. Quando há uns anos estabeleci o objectivo de conhecer 30 países antes de completar 30 anos percebi que precisava de outros objetivos depois. Pouco tempo depois decidi que o objetivo seguinte seria visitar todos os países da Europa até completar 40 anos e secretamente comecei a pensar num objetivo MUITO mais ambicioso: 100 países até aos 40. Era puxado, mas possível.

O objetivo de conhecer todos países da Europa ainda continua no horizonte uma vez que só faltam 8 países e ainda faltam 6 anos até lá chegar. Mas os 100 antes dos 40 começam a ser uma miragem… Não desisto ainda, mas começa a ser mais complexo uma vez que nos falta tão pouco na Europa, onde é tão fácil apanhar voos para qualquer ponta do continente num fim de semana.

Ah, antes que pensem que apenas viajo pelos números deixo desde já o aviso que não é verdade… Embora faça muitas viagens de fim de semana tenham a certeza que não andamos a ver marcos históricos só para por no Instagram. Simplesmente, como já expliquei aqui, as viagens são para mim fontes de energia. São aí que me sinto em plenitude, em paz, e no meu auje criativo.

No entanto não é o momento de ser egoísta. Não é o momento de voltar ao que era, pelo menos para já. Na verdade que se danem os objetivos, se há número que não quero ser é um dos infectados pelo Covid19!

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Ida sem regresso marcado

Este texto era suposto ser um único post sobre o que estava a sentir sobre o lockdown e a influência que teve em mim num momento específico em março. No entanto por algum motivo não o publiquei na altura e continuei a adicionar mais e mais. E assim, sem querer, tornou-se uma espécie de diário sobre o que senti durante este período. Não vou mentir que foi duro para mim. A minha vida mudou do avesso, tive momentos complicados que pensei que nunca mais iriamos sair desta.

escrito no início de março

Escrevo este post em pleno início do período de isolamento em Portugal. Tive o azar (ou a sorte) de estar em Portugal quando as primeiras medidas foram implementadas lá. O voo que apanhei já não estava cheio, e dei de caras com um país vazio. Foi triste, deprimente. Senti-me vazia ao ver o meu país vazio. Não viemos para matar saudades  família como normalmente mas para tratar de situações financeiras inadiáveis. Não vi a minha família para não os expor a um risco potencialmente maior. O meu pai vive a 3 ruas da minha irmã mas não se podem ver.

Mas o que mais custa é saber que embarco hoje de volta para o Reino Unido sem saber quando volto a abraçar os meus. O calendário diz Abril, mas todos sabemos que ninguém sabe. E se por um lado mal posso esperar por chegar a casa, por preferir fazer um eventual isolamento na minha própria casa, por outro nunca senti tanto o peso da emigração.

Cheguei a um reino unido que ainda estava a ignorar o problema. Ninguém evitava sair de casa, ir às compras, foi um choque ver que um país com tantos mortos e infetados não estava a reagir.

(…)

Pouco tempo depois o mundo entrou mesmo em lockdown e estamos a viver tempos sem precedentes. Em Portugal o governo acabou de decretar a extensão do estado de emergência, no reino unido o príncipe Carlos e o Primeiro Ministro Boris Johnson foram infectados. Os números aumentam e a data de hoje já existem 250,000 infectados apenas nos Estados Unidos. Aqui por casa o J. está a trabalhar de casa e eu parcialmente de casa. Montamos um escritório improvisado na sala de jantar. Sentimos falta das viagens, dos concertos, dos espetáculos, dos teatros, de jantar fora, do cinema. Sempre vivemos muito fora de casa e por isso agora sentimos que isto é tudo muito estranho… Ao J. custou-lhe muito a adaptação de ficar em casa porque não saía de casa, assim instituimos aqui em casa diariamente uma saída de casa, seja para dar uma volta ao parque, ir ao supermercado buscar algo que nos faça falta, levar vidro ao vidrao, o que seja… Eu pessoalmente tenho feito mais exercício, muito pouca vontade mas tem-me feito bem. A gata no início estava toda entusiasmada por nos ter em casa agora nota-se que já está farta e isola-se na cama dela. O que mais me mete confusão foi a pilhagem que as pessoas fizeram ao supermercado. Quantas vezes tive vontade de chorar de ver corredores inteiros vazios por me sentir num cenário de guerra…

update em abril

A adaptação está a ser dura. Passo horas ao telefone com companhias aéreas e hotéis a desmarcar viagens que iríamos ter em março, abril e maio. Tive momentos de muito choro, que senti que isto não ia acabar nunca. As viagens, jantar fora, ir ao cinema, são a minha luz para aceitar momentos de trabalho mais complicados. Não posso abraçar amigos nem a família e precisamos tanto deste abraço. Ainda não consigo ver a luz ao fundo do túnel.

Nao tenho vontade de fazer nada. Estou super deprimida a tentar ocupar o tempo, nao esta a ser facil a adaptacao…

update em Maio 

Percebemos que o lockdown vai durar mais do que pensamos e decidimos criar um canto próprio para escritório em casa. Começamos a aceitar e ganhar mais confiança no futuro, embora com muito medo. Se em abril chorei muito agora sinto que já estou bem melhor. Custa-me não saber quando vou viajar, quando vou abraçar os meus amigos, quando o medo vai desaparecer. Tenho medo mas vontade de quebrar a quarentena. Estou farta embora saiba que é para o bem comum (e no final de contas para mim também!). Mas já tenho uma rotina estabelecida e isso ajuda a que os dias não pareçam todos iguais. Continuo a sentir que não me consigo concentrar muito tempo numa coisa, não leio um livro desde o início da quarentena, e o sono continua a ser pouco e de má qualidade. Já sonhei que estava em Sidney, na China… Já sonhei com o Corona, que ficava doente… Acordo cansada e todos à minha volta sentem o mesmo. O meu aniversário vai ser no final do mês e tenho medo de não poder festejar com ninguém…

(…)

Tivemos de viajar até Portugal para tratar de assuntos lá. Viajamos em aeroportos vazios, voos a meio gás, passamos pela experiência de voar de máscara. Não foi nada agradável esta última parte, fez-me pensar duas vezes se quero mesmo voltar a viajar assim tão depressa…

Sinto que aceito um pouco melhor a nova realidade.  O trabalho apertou mais com a reabertura de mais negócios. Não saber quando vou ter férias é duro, sinto-me cansada. As últimas férias a sério foram em junho do ano passado em cabo verde (se for menos de uma semana ou se for em Portugal não contam 🤣🤣). Mas por outro lado aquela sensação de exaustão que todos sentíamos em abril a mim passou-me. Dediquei-me a novos hobbies como a costura e fiz roupas para bebés de amigos (ainda não me aventuro em tamanhos maiores…).

Desde que o confinamento começou nunca mais toquei piano. Algo que me dava tanto prazer de repente ficou esquecido….

O meu aniversario foi no final do mes. O J. fez um esforco incrivel para me proporcionar um dia feliz tendo em conta o momento que vivemos. Foi MUITO bom o dia!

update em Junho

A maioria dos dias sinto-me muito melhor mas tenho tendencia em ficar muito cansada e deprimida no final da semana. O trabalho esta ao rubro e adoro, nao me posso queixar… Continuo a fazer coisas de costura e estou a tentar ganhar coragem de ler um livro, ja nao pego ha meses! Os fins de semana continuam a ser os momentos mais dificeis porque a falta de rotina faz com que os dias nunca mais acabem. Todos os fins de semana tento convencer o J. a fazer um projeto de obras la para casa, coitado, ja nao me pode ouvir. Sigo atentamente qualquer noticia da criacao de “pontes” para outros paises e continuo a pesquisar voos como se nada fosse, e’ dificil adormecer este bichinho…

(…)

Pela primeira vez fui ao supermercado e havia TUDO! Até ovos e vários tipos de farinha, algo que faltou durante meses… Hoje comentava com o J. como esta porcaria nos fez perceber dos priveligiados que somos. Nunca nos falta comida, roupa, lazer.

Mesmo assim tenho muitas saudades de ser livre. De ir a casa dos amigos sem receio. De abraçar as pessoas com muita força, de jantar fora sem planear muito. De saber o que vou fazer nos próximos fins de semana e sentir-me entusiasmada!

(…)

Quando parece que já estamos habituados um de nós tem um momento de fraqueza. Um choro pela descompensação, um momento que nos mostra que não gostamos nada desta situação. Ontem era suposto termos ido ver os Queen com o Adam Lambert, hoje fazemos 4 anos de casamento e amanhã era suposto fazer uma intervenção médica. Os Queen e a intervenção médica foram adiadas (a segunda sem data marcada) e estamos limitados no que vamos fazer para festejar o nosso aniversário. Mas estamos juntos e isso é o mais importante!

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Desde dia 15 de junho os centros comerciais abriram e de repente ficou tudo mais normal. Não é que exista um pingo de normalidade nesta situação mas ver gente na rua fez-me sentir que os últimos meses nunca aconteceram. Aguardo ansiosamente que anunciem o fim da quarentena para quem chega ao país para poder marcar férias. Tenho saudades de viajar, mas acima de tudo preciso de uma ou duas semanas para descansar.

(…)

Sem dúvida que parece que nos aproximamos de uma nova normalidade. Os restaurantes vão reabrir no dia 4 de julho, a maioria do comércio já está aberto. Ainda me custa MUITO ficar em casa sem projetos, fico deprimida. Sinto pela primeira vez que fomos super produtivos na quarentena porque fizemos imensos projetos de obras em casa (e temos dois mega projetos alinhados!!!) mas estou doida para voltar a estar mais tempo fora de casa. Marcamos um fim de semana fora para julho (que obviamente irá render posts por aqui) e estamos ansiosamente a espera que saia a lista de países autorizados a viajar sem quarentena para marcarmos uma semana fora.

update em Julho

Hoje é dia 4 de julho e reabriram os restaurantes. O J. não queria mas eu fiz uma surpresa e marquei mesa num restaurante que amamos. Ficamos numa mesa isolada, sem ninguém no raio de 10 metros. E pela primeira vez brindamos ao “vai ficar tudo bem”. Pela primeira vez sentimos que de facto isto vai um dia acabar. Embora neste momento não possamos ir a Portugal sem fazer quarentena no regresso (que para mim é impossível) acabámos de marcar as primeira férias. Ainda faltam várias semanas mas sentimos alguma normalidade. Decidimos desconfinar devagarinho. Daqui a pouco tempo vamos passar um fim de semana fora aqui no reino unido. Mas decidimos que vamos ficar num sítio onde possamos cozinhar para evitar contacto. Iremos fazer caminhadas, ter contacto com a natureza e nada mais (espero). Também vamos começar a rever amigos, devagar, um grupo de cada vez… O vírus não foi embora, o impacto  na economia e na sociedade ainda estão para ser verdadeiramente apurados mas sobrevivemos. Não todos infelizmente, mas nós estamos cá.

Nota final: jamais pensei que este post se tornasse num diário do que senti neste momento. Decidi guardar o que estava a sentir durante a quarentena apenas porque não queria pôr ninguém mais para baixo. Acho importante guardar estes registos para o futuro, para que todos aprendamos uma lição de que nem tudo é garantido. Em 2020 as nossas liberdades básicas de compras, convívio e liberdade foram tiradas de um dia para o outro. Agora que as estamos a recuperar sabem AINDA melhor! 

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O clima no Reino Unido e eu

Uma das coisas que mais me perguntam desde que me mudei para o Reino Unido e’ como consigo lidar com a chuva. Sabendo que o Reino Unido nao seria a partida um destino tropical, sabia que a chuva seria algo que me iria acompanhar durante grande parte dos meus dia. No entanto nao sou uma pessoa que necessite de muito sol. Nao sou pessoa de ir para a praia ao fim de semana, ir a uma esplanada, de estar em contacto constante com o sol, nem fico de mau humor se nao vir o sol durante algum tempo, para mim nao foi dificil.

Obviamente que quando saio de casa e esta um dia de ceu aberto fico muito mais feliz. No entanto nao sinto que os dias nublados piorem o meu mood do dia, o meu mau feitio vive por si so, alimentado a sol e a chuva.

Um dia decidi pesquisar sobre precipitacao anual no Reino Unido e descobri que afinal chove tanto como em Portugal, nao sei se as pessoas sabem disso. Por aqui nem sequer uso guarda chuva. Se estiver a chover muito abrigo-me porque sei que em menos de 5 minutos vai passar.

Mas é claro que o tempo no Reino Unido nao e’ perfeito. Primeiro e’ o facto de estar “sempre” nublado. E’ algo inquestionavel e chato mas pronto, acontece. Segundo o facto de durante o inverno escurecer muito cedo. Dói na alma ver que as 4 da tarde já é de noite escura.

Mas sabemos que a primavera volta sempre. E com ela os dias mais compridos, o sol espreita e aproveitamos muito o exterior. Nós não porque somos mais de indoor mas mesmo assim aproveitamos mais o nosso jardim do que jamais aproveitei em Portugal. Fazemos mais grelhados num ano do que fiz na minha vida toda em Portugal. Acho que a sensação de que sabemos que o tempo bom não dura sempre faz-nos não deixar para amanhã o que podemos aproveitar hoje.

Por fim o facto de existir chuva e humidade o ano todo faz com que a paisagem esteja sempre verde, e não há nada que nos encha mais o olho do que um campo ou uma floresta bem verdinha.

É o que eu chamo de copo meio cheio!

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Tirana – Hotel City Center

Escolher hotel em Tirana não foi nada difícil. O poder de compra da cidade é baixo, as opções com qualidade são bastante limitadas pelo que na altura de escolher não tínhamos assim tantas opções. Nesta viagem em concreto tínhamos três restrições: parque incluído, localização central e ser possível fazer check in bem tarde. E claro, que não fosse muito caro.

A escolha caiu então pelo city centre hotel. Tal como o nome indica é bem no centro, a partir do momento que estacionamos o carro que alugamos só o tiramos para ir a Apolónia e Berat, em Tirana fizemos tudo a pé.

O hotel é simples, sem grandes luxos, mas muito confortável. O quarto era grande, virado para a rua principal mas não se ouvia barulho. A casa de banho era bastante grande, com destaque para o chuveiro enorme!

O grande senão do hotel era sem dúvida o pequeno almoço. Era num restaurante separado do hotel, tínhamos de passar pelo restaurante todo e o sítio não só cheirava imenso a tabaco como tinha um aspecto duvidoso. A comida não era muito variável mas acredito que tenha a ver com o país em si.

Mas o grande bonus foi o funcionário da recepção que era de uma simpatia extrema!

Fotos reais

Hotel City Center

 

Nota: uma vez que depois desta viagem todos os planos que tínhamos foram cancelados vou começar a publicar apenas uma vez por semana. Vou tentar falar de algumas viagens que fiz antes de escrever ativamente por aqui neste momento que andamos todos mais por casa mas apenas uma vez por semana. Assim que recomeçarem as viagens volto a aumentar o número de posts semanais 🙂

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A vida continuou durante a quarentena

Durante meses vivemos obsecados com o Corona vírus. Vivemos para os números, com as notícias, com as medidas, o confinamento. Mas à nossa volta a vida continuou a acontecer. Amigos perderam familiares, amigos ganharam novos membros na família (humanos e de pêlo), pessoas descobriram que tinham cancro, celebramos aniversários. Recebemos óptimas notícias seguidas de péssimas. Nenhuma delas relacionada com o Corona…

A vida continuou….

Planeamos viagens nas nossas cabeças e descobrimos os bairros onde vivemos como nunca o tínhamos feito. Trabalhamos mais que nunca, tivemos de rearranjar a casa para termos mais conforto. Fizemos obras, melhoramos coisas. Compramos decoração, fizemos projetos.

E a vida continuou…

Desesperamos com a Amazon, fomos ao supermercado vezes sem conta. Preparamos refeições deliciosas e outros dias desesperamos. Abençoamos os dias que não tivemos de enfrentar o trânsito e sentimos saudades dele.

E a vida continuou….

Abraçamos quando ainda não era permitido porque o momento se impunha. Viajamos antes da quarentena obrigatória ser implementada antes de darmos aquele abraço apertado a família que sabemos que pode não se repetir assim tão em breve.

Sabíamos que éramos felizes e ajustamo-nos para encontrar novamente essa felicidade dentro de nós. Sentimos saudades do passado mas temos esperança que volte em breve…

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Berat e Apolonnia

Já tinha lido há uns anos a visita que a Dri Everywhere tinha feito à Albânia em que tinha visitado Berat e quando comprei o guia da Albânia e vi que a imagem de capa era de Berat decidi logo que tinha de incluir uma visita a este lugar! Quando pesquisei tours vi que Apolonnia era sempre incluído pelo que ficou decidido ir aos dois.

Berat é conhecida como a cidade das janelas. É impossível não ficar a olhar embasbacados da outra margem do rio sem tentar perceber o que se passou por ali.

Apesar de turística na verdade não vimos assim tantos turistas (mas nós fomos em Janeiro…) pelo que sentimos que de facto foi uma experiência autêntica. Na verdade não há muito para ver na cidade para além de procurar a melhor perspectiva para a fotografar.

No entanto, mesmo em frente há um castelo. Mesmo em frente no mapa porque na verdade é bem no topo de uma colina. Lá dentro tem imensas lojas, restaurantes, ruínas e uma vista bem interessante sobre Berat que valeu muito a pena.

Nota: nós decidimos conduzir até Berat e Apolonnia em vez de marcar uma tour apenas porque achamos o preço um exagero. Podem ver como fizemos aqui. Almoçamos com imensa calma, passeamos até termos a certeza que estava tudo visto, tudo com calma.

Quando achamos que estava tudo visto pusemo-nos a caminho de Apolonnia. Todas as informações que encontramos dizia que fechava as 17 no inverno mas estava errado, na verdade fechava as 16. Quando lá chegamos batemos com a cabeça na porta e ficamos tristíssimos. No entanto quando estávamos a caminhar para o carro o guarda chamou-nos e deixou-nos ver as ruínas sem mais ninguém! Não estávamos a acreditar na nossa sorte! E quando acabamos ainda nos abriu a porta do museu, da igreja e da torre!!! Muito surreal de tão fantástico!!!! E então o que é Apolonnia? Apollonia e’ uma cidade ancestral grega. No local ainda e’ possivel visitar as ruinas e o museu que valem a pena qb. Nao estamos a falar de uma acropole em Atenas mas tendo em conta a dimensao do pais e’ bastante interessante.

 

 

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O que queremos fazer quando isto acabar

Nós últimos dias eu e o J. temos pensado no que gostávamos de fazer quando este isolamento acabar… Como estamos em vésperas de saber o que vai acontecer no reino unido nas próximas semanas a ansiedade aumenta!

Obviamente que eu tenho MUITAS saudades de viajar, nem se questiona isso, mas tenho saudades de outras coisas:

– Abraçar os meus: a família e os amigos. Perdi aniversários importantes, estou a acompanhar gravidezes a distância, é muita coisa mesmo que queria estar mais perto

– Comer fora: nós amamos jantar fora. E sentimos MUITO a falta de fazer estas coisas

– Ver espectáculos: musicais, teatros

– Receber os amigos em casa!

– Compras!!! Sem filas nem medos!

Quando perguntei ao J. do que sentia saudades para além da família e dos amigos disse ter saudades de conduzir! Engraçado tendo em conta que ele passa imenso tempo a conduzir normalmente, deduzi que fosse porque para ele conduzir significa normalidade.

E vocês? O que é que têm mais saudades?

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Eu e o Covid

Tenho noção que estes tempos são únicos. Que para sempre saberemos onde estávamos na primavera de 2020, tal como sabemos onde estávamos a 11 de setembro de 2001. É importante que relembremos como estes tempos foram vividos para a posteridade.

Os meus avós conviveram com a fome, os meus pais viveram austeridade extrema dos anos 80, a minha geração terá de se lembrar da quarentena de 2020.

No início senti que isto não me estava a acontecer a mim. Que estava num filme, que não era eu que estava a viver aquela realidade. Como estava em Portugal quando o lockdown foi decretado lá tentei avisar no reino unido. Mesmo a uma semana do acontecimento ninguém queria acreditar. Mandei pessoas para layoff sem saber quando as vou voltar a ver, vi pessoas com medo do que está para vir, mas tive de ser o elo forte. O J. já trabalhava há semanas a partir de casa quando eu finalmente recebi luz verde. E foi nessa altura que o meu mundo desabou. Foi nessa altura que perdi horas da minha vida ao telefone com companhias aéreas, hotéis, agências de viagens a remarcar ou cancelar férias. Se antes sentia que não era eu que estava a viver isto, agora sentia que o mundo todo está nos meus ombros. Um dia, num dia em que um amigo me sentiu menos bem e me mandou uma mensagem em que me disse que precisava de melhorar para ajudar uma amiga que não estava numa fase boa, porque afinal somos irmãs só que de mães diferentes. Foi a gota de água. Chorei tudo o que andava a segurar há semanas. Chorei compulsivamente durante vários minutos. O J. ficou sem chão por me ver assim. Eu sentia-me mesmo a bater no fundo. A família, os amigos, as viagens, os concertos e jantar fora são uma parte ENORME da minha vida e foram-me retirados em menos de 24 horas. Quase tudo o que me faz levantar de manhã não estava lá mais. Demorei a recuperar desse dia. Depois chegou uma terceira fase, em que pensei no positivo. Que tenho o J. ao pé de mim, a família e os amigos a distância de um click e o trabalho que tanto amo. Que tenho a sorte de poder trabalhar alguns dias fora de casa (sou considerada “Key worker”) e que ajuda a quebrar a rotina, que vivo num bairro óptimo que finalmente estou a descobrir. Depois comecei a descobrir a normalidade. Chamadas com a família diárias e mais curtas durante a semana mas mais longas durante o fim de semana. Os amigos que fazem pão e oferecem. As obras que aproveitamos para fazer em casa. As séries de TV que ando a ver. Oscilo entre a sensação de vazio durante o fim de semana e a rotina que tanto gosto durante a semana. Passeios longos a volta do bairro ajudam que o J. saia de casa e se mantenha mentalmente são. Se me tentarem mostrar vantagens deste momento que estamos a viver, para além de ver o J. mais horas não consigo nomear nenhuma. Ainda pesquiso viagens compulsivamente, até para Maio (tão inocente). O meu aniversário é já para o mês que vem e sei que a festa que tinhamos programado provavelmente não vai acontecer.