Dia a Dia, Viagens

Weekend Breaks

Muita gente acha que somos loucos porque fazemos imensas viagens de fim de semana. Sair mais cedo a sexta, correr até ao aeroporto, apanhar um avião, andar quilómetros sem fim, dormir num hotel, regressando no domingo, apanhando outro avião, conduzir, chegar a casa às 23 (ou 24h, ou 1, ou 2). Perguntam-nos como aguentamos o ritmo, começar a semana mais cansados do que quando acabamos.

A verdade é que eu preciso destas pausas. Estes dois dias que passamos noutro país, a conhecer um novo destino, são como pão para a boca para mim. Tenho um trabalho exigente. Trabalho sempre a 110% (e não, não estou a ser convencida, isto é me dito constantemente), dedico-me ao meu trabalho de forma quase irracional. Mas quando viajo tudo isto fica para trás. Os problemas, os budgets, as vendas, o footfall (desculpem quem não é da área!). Tudo isto fica fechado num compartimento durante o fim de semana. E estas pausas, que são muitas vezes de menos de 48 horas, sabem-me a semanas de férias.

E depois há o facto de eu e o J. passarmos 48 horas dedicados um ao outro. Não há televisão, livros, almoços com família, só existe ele e eu. Durante a semana, apesar de não termos filhos, a rotina instala-se. Há o ginásio, os jantares, arrumar a casa, organizar o dia a dia, um pouco de televisão ou de leitura e são horas de dormir. Mas nestas viagens vivemos um para o outro, os dedos entrelaçados, conversas a olhar no fundo do olho do outro, perceber o que está bem, o que precisa de ser corrigido. Planear o futuro, onde vamos poupar, onde queremos investir. Tudo isto é feito em viagem…

Escrevo este post mim domingo a noite a regressar de Bologna (posts sairão no blog daqui a umas semanas) e tive de fazer um esforço mental para me lembrar onde estacionei o carro na sexta feira, há dois dias atrás! Porque a minha cabeça acha que sexta feira não foi há dois dias atrás mas sim há uma semana. Porque quando eu desligo, desligo mesmo. E sim, é cansativo. Sim, quando marco os voos nunca penso nisto, mas há vezes que não me apetece ir. Mas vou, mas vamos. Mesmo que amanhã me custe muito levantar. Mesmo que precise da dose de cafeína que não devia beber. Mesmo que amanhã me deite as 21. Vale a pena, vale sempre a pena. Porque estas pausas me dão toda a energia que preciso para aguentar o meu trabalho tão exigente…

Dia a Dia

Emigrar é difícil?

Decidimos sair do país há mais de 5 anos. Na altura pareceu uma loucura principalmente porque a palavra emigrar tem uma conotação muito negativa. Emigrar, na cabeça de quem fica implica aceitar um emprego abaixo da educação que se tem, viver um ano sem ver a família, fazer sacrifícios infinitos. Mas a realidade para mim foi bem diferente. Em 2018 por exemplo vi a minha família 7 vezes. Sim, em média mais do que 1 vez a cada dois meses. E não foi um almoço rápido que normalmente se tem uma vez por mês em casa dos pais. Foram dias a fio de convivência, almoços, jantares, passeios. E a vida no Reino Unido é exatamente igual à que tínhamos em Portugal: casa, trabalho, jantares com amigos, cinema, compras, viagens. Por isso cada vez que as pessoas nos perguntam como é a vida por aqui eu respondo: igual à vida daí. E não é por mal, é a mais pura das verdades. Claro que há diferenças, temos um emprego onde as pessoas se sentem agradecidas porque aceitamos trabalhar para elas e não nos tratam como escravos, temos dinheiro para fazer outras coisas mas a essência da vida está la… Vamos ao supermercado, tal como íamos em Portugal, vamos a concertos, tal como íamos em Portugal, ficamos presos no transito tal como acontecia em Portugal.

Falo com os meus amigos que estão em Portugal com mais frequência do que quando lá morava, vejo amigos com mais frequência, combino viagens com a família e amigos para destinos fora de Portugal… Sei que sou sortuda mas caramba, a sorte da muito trabalho!

Ha umas semanas atras falava com uma amiga minha que so em situacoes muito concretas e’ que sinto que nao moro em Portugal. Quando, por exemplo, vou a um musical a Londres ao final do dia. Como moro fora de Londres e cada vez mais me aborrece a confusao (nao se esquecam, sao 10 milhoes de pessoas) cada vez menos vou a Londres, ou quando vou normalmente e’ a trabalho. Mas ha dias, quando por exemplo saio de Waterloo e me deparo com o Big Ben ou o London Eye que me apercebo que de facto nao vivo em Portugal. Falar ingles tornou-se parte da minha essencia, e’-me tao normal ter uma conversa na minha lingua materna como na do pais que me acolheu pelo que nao noto… Simplesmente nao noto. Claro que custa nao estar ai quando ha aniversarios, quando alguem esta doente. Mas por acaso estive em Portugal quando o meu pai foi operado, fui eu que o levei e trouxe do hospital, que cuidei dele. Vou estar este ano em alguns aniversarios, mas tal como quando vivia em Lisboa, nao vou estar em todos. Para o ano a minha irma tem um aniversario especial (20! cof, cof) e certamente nao irei faltar! E eles sabem que estamos aqui, que podem sempre contar connosco. Londres conta com mais de 20 voos por dia, o Porto quase 10, nunca faltamos a um casamento por falta de voos!

Dia a Dia

Processo de compra de casa em Inglaterra

Primeiro aviso: eu não trabalho nesta área, este post foi feito APENAS com base na minha experiência pessoal.

Segundo aviso: no título escrevi Inglaterra de proposito. Sei que o processo de compra de casa na escócia não tem nada a ver com o de Inglaterra. Não faço ideia de como é em gales ou na irlanda do norte pelo que apenas devem considerar esta informação para Inglaterra.

Terceiro aviso: esta explicação e’ apenas para casas que vão ser usadas como primeira habitação e seja a primeira vez que estão a comprar casa.

Quarto e ultimo aviso: este e’ o post mais longo que escrevi ate hoje!

Comprar casa por aqui é provavelmente dos processos mais stressantes que pode existir. O principal motivo é o facto de não existir um contrato de promessa de compra e venda, pelo que até existir a troca de contratos de venda (na verdade até receber a chave!) o negócio pode cair. E é bastante normal cair! Tivemos amigos muito próximos que avisaram o senhorio que iam sair do apartamento que arrendaram e o negócio da casa que iam comprar caiu e ficaram sem casa. Felizmente têm uns amigos altamente (nos!!!) que os receberam e onde ficaram até arranjarem outra casa. Vamos lá então por passos!

1) a primeira coisa que devem fazer é verem como está o vosso “credit score”. Se não sabem o que é pesquisem aqui. Sites como o Noddle ou o Experian dão esta informação gratuitamente. Se quiserem perceber o que está a influênciar o vosso credit Score (ou pontuação de crédito) podem pagar uma mensalidade neste site para receberem mais informações. Coisas como estarem inscritos para votar, terem cartões de crédito que pagam o saldo todo mensalmente, terem contas bancárias já com alguns anos ou não terem mudado de casa muitas vezes influência positivamente o credit score. Se o vosso credit score for bom avancem para o ponto 2, se não for aconselho que esperem alguns meses e trabalhem para melhorar esse valor, ou então não irão conseguir emprestimos à habitação nos principais bancos.

2) Agora é altura de refletir um pouco. Ja perceberam como esta o vosso credit score, está na altura de perceber duas coisas: qual o vosso budget e se tem dinheiro para comprar uma casa.

  • Qual o vosso budget? Quando compramos casa sabíamos que podiamos pedir emprestado um determinado valor. No entanto sabíamos que nao queriamos viver estrangulados por uma prestação para a casa que não nos deixaria confortáveis. Assim estabelecemos um valor de prestaçao que nos sentimos confortáveis e sabíamos qual o nosso tecto máximo dentro daquela prestação.
  • Quanto dinheiro preciso de ter para comprar uma casa? Todos os custos abaixo tem de ser pagos por vós, não podem pedir dinheiro emprestado e vão ter de provar de onde veio este dinheiro.
    • 10% do valor da casa para o depósito (ou 5% se for uma casa nova e entrarem num esquema help to buy – tenham em atenção que este esquema nao e’ tao fantastico como parece)
    • Stamp Duty – podem usar a calculadora online do governo para saberem
    • Taxa de avaliação – nem todos os bancos cobram isto mas pode ser entre £150-£1,500
    • Taxa do Surveyor – este valor pode estar junto com o anterior. Como e’ muito normal por aqui comprar uma casa usada e’ muito normal contratar um Surveyor para ver as condições da casa. Existem varios tipos de inspeccoes, desde mais básicas ate estruturais. O custo pode ir de £250 ate £1000 normalmente.
    • Custos com solicitador – são os solicitador que fazem todo o processo legal de compra de casa e fazem as pesquisas de documentos necessarios. Normalmente este custo e’ de cerca de £800 a £1800 tipicamente para uma venda “normal”, no entanto se existirem complicações, eles cobram depois á hora para resolver
    • Outros custos: Search Fees, Land Charges Search, Land Registry Search, HM Land Registration fee, Seguro, etc: gastamos cerca de £600

3) Vão ao vosso banco pedir um “mortgage in principle”. Isto não só vos vai dar uma indicação de quanto podem pedir mas também se de facto estão numa boa posição financeira (ver ponto 1). Este documento não vos faz refém de pedir um empréstimo no vosso banco, mas usamos para provar que podíamos comprar a nossa casa. Acabamos por ir para outro banco que nos ofereceu uma melhor taxa. Podem ter uma ideia de quanto vão conseguir pedir emprestado online mas se tiverem um papel do banco a agência imobiliária fica mais descansada. Por norma os bancos emprestam cerca de 4 a 4.5 vezes o ordenado bruto do agregado familiar. Aproveitem esta visita para perceberem que tipo de emprestimos existem. E’ um sistema bastante complexo mas muito mais personalizado do que vi em Portugal. Muito simplificadamente existem dois tipos de empréstimo: apenas juros ou amortização de capital. Depois dentro destas opções podem optar por taxa de juro fixa ou indexada ao banco de Inglaterra. Por norma os empréstimos tem taxas promocionais durante 2, 3, 5 ou 10 anos que aumentam depois deste período fixo. O que acontece e’ que a cada x anos (dependendo se entraram num acordo com 2, 3, 5 ou 10 anos de taxa promocional) tem de voltar a renegociar o empréstimo todo.

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Imagem retirada daqui

4) Chegaram ao ponto 4? Optimas noticias! Agora e’ altura de passar à prática. Escolham a zona que querem morar, e vejam casas. Os melhores sites de pesquisa de casas são o right move e o zoopla porque agregam as casas de todos os agentes imobiliários, podem meter filtros por zona, por preco, quartos, etc. Algumas dicas para esta pesquisa:

  • Vejam se a propriedade que vão comprar tem um leasehold (tipicamente apartamentos) ou freehold (tipicamente casas)
  • Se for um Leasehold precisam de saber quantos anos faltam no acordo. A maioria dos bancos não emprestam dinheiro se a “lease” for inferior a 70 anos.
  • Tenham em atenção as “cadeias“. E’ tipico por aqui haver cadeias de venda e compra de casa. Estas podem ser um pesadelo porque a probabilidade de o negócio não se concretizar e’ maior porque depende de mais pessoas. Foi o caso dos nossos amigos que mencionei acima.
  • Caso optem por um apartamento vejam quanto custa o condomínio e a renda que tem de pagar ao leasehold
  • Perguntem pelas “covenants”, porque se forem complexas pode fazer-vos desistir do processo de compra.
  • Se gostarem de uma casa pecam uma segunda visita. Ou se forem loucos como nós e gostarem mesmo digam logo que querem. Agora a serio, nos gostamos tanto da nossa casa que dissemos na primeira visita que queríamos. Nao tinhamos pressa mas gostamos mesmo da casa e da zona.
  • Quando pesquisarem online ponham o filtro do preço um pouquinho acima do que querem pagar e negociem o preço. Foi o nosso caso, conseguimos tirar quase £15,000 ao preco pedido. No entanto isto depende do estado do mercado.
  • O meu chefe ensinou-me algo que achei fantástico: “podes transformar uma ma casa numa boa casa mas não podes transformar uma ma zona numa boa zona”. Isto foi fundamental. Vimos casas em zonas que não me via morar. E mais do que a casa para mim foi importante morar numa zona que eu gostasse. Nao compramos a maior casa que vimos, nem a mais barata, mas ADORAMOS a zona onde moramos

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5) Encontraram uma casa que gostaram? Facam uma oferta. Sugiro que retirem entre 5% and 10% do valor pedido e comecem a negociar por aí. Isto depende não só do estado do mercado mas por exemplo se nao estao em nenhuma cadeia de venda de casa e’ um fator negocial importante

6) Conseguiram acertar um valor? Fixe. Está na altura de resolverem o empréstimo e arranjar um advogado. A agência imobiliária com quem compramos a casa recomendou um intermediário para negociar o empréstimo por nos e advogados. Seguimos a recomendação deles tanto para um como para outro. O advogado foi muito fixe, o intermediário do empréstimo a pior empresa com quem já tive de lidar (com direito a reclamação no final).

  • Caso precisem podem pesquisar solicitadores online, comparar orcamentos, etc. Um conselho e’ escolherem um que tenha uma proteção caso o o negócio não se concretize poderem fazer o próximo sem pagarem mais.
  • O intermediário para negociar o empréstimo em nome do cliente e’ chamado de Broker/Mortage advisor e basicamente faz uma pesquisa por vocês sobre os vários bancos. Na nossa opinião o que eles fazem pode qualquer um fazer sem grande trabalho hoje em dia num comparador como este por exemplo.

7) Agora começa o jogo da espera. Dependendo do quão céleres os advogados, o vendedor e o banco são mas tipicamente nesta altura tem de:

  • Enviar recibos de vencimento
  • Enviar extratos de conta para provar os vossos hábitos de compras e como acumularam o dinheiro que precisam para pagar os custos do ponto 4
  • Fazer e receber o resultado do survey. Se existir algum problema com a casa pode levar a uma desistência da vossa parte ou a negociação do preço.
  • Resultado das searches. Nao se esquecam de ver estes documentos com MUITA atenção!
  • A minha sugestao e’ que façam um follow up todas as semanas com o banco e com os advogados. Nao se esquecam, sao vocês que estão com pressa, nao sao eles…. No nosso caso pedimos a agência imobiliária o contacto do vendedor e sempre que o processo ficava pendurado mandavamos-lhes uma mensagem

8) Quando já tem uma resposta do banco e os advogados já receberam toda a documentação e vocês não tem dúvida passa-se então para a “exchange” (troca de contratos. O exchange e’ o ato que confirma que de facto a venda vai acontecer. Até aqui vocês ou o vendedor podem desistir do processo sem problemas. E’ também nesta altura que tem de pagar quase todos os custos do ponto 4. Existem infelizmente pessoas desonestas que neste dia resolvem que já só vendem a casa por X mais, ou o comprador a dizer que já só da Y pela casa. No nosso caso correu tudo bem mas conhecemos casos em que isto aconteceu. Entre exchange e completion, a casa ainda não é vossa, mas se acontecer alguma coisa somos e’ o comprador que que paga (ex fogo, inundações, etc…), daí ser preciso o seguro.

9) Quando marcam a exchange e’ também marcada a completion que e’ o dia em que a casa passa para vosso nome e recebem as chaves da vossa nova casa. Para fazer a exchange, o dinheiro tem de estar na conta dos advogados… Por isso tem de se transferir o dinheiro para os advogados com 1 ou 2 dias de antecedência. O dinheiro e’ sempre tratado entre advogados, o empréstimo nunca chega a tocar na nossa conta bancária.

10) Tipicamente o completion e’ feita uma semana depois da exchange. Pode ser mais rápido mas implica que paguem uns extras. Se a completion não se realizar na data marcada, o culpado tem de pagar juros á outra parte (diariamente)

O processo e’ longo, chato e stressante. No nosso caso durou cerca de 2 meses desde o momento que fizemos a oferta, o que e’ o prazo mais curto que ja vi entre amigos. O normal e’ demorar entre 2 a 3 meses mas pode ser ainda mais se for um negócio em cadeia.

 

 

Dia a Dia

Ver a vida por um ecrã

Sou mega viciada em tecnologia. Ter sido introduzida ao mundos dos computadores ainda antes de ter entrado na escola e ter um pai geek fez com que sempre tivesse tendência para ser dependente de tecnologia. Nem vou dizer com que idade tive o meu computador, portátil, tablet, telemóvel porque seria vergonhoso e mais uma prova que o meu pai sempre me mimou muito (obrigada papá!!). Com o passar dos anos fiquei agarradissima em especial ao meu telemóvel. Tenho dificuldade em estar sozinha se não for agarrada a este dispositivo, sinto-me esquisita sem ele, vai comigo para todo o lado. O medo de perder algum momento é tal que olhar para o telemóvel é a última coisa que faço antes de dormir e a primeira depois de acordar.

No entanto há limites. Quando estamos com a nossa cara metade, familia, amigos… Quando vamos a um concerto, opera, bailado… Se quanto ao primeiro cenário não é preciso dar explicações e também eu já fiz muito isso, no segundo não conseguem imaginar a raiva que tenho. No sábado passado fui a um concerto e à minha frente estava uma tipa que não parava de publicar cenas no Instagram. Uma foto, um vídeo ou outro ok, mas constantemente??? Alguma vez pensaram que o brilho do vosso telemóvel pode estar a incomodar a pessoa atrás de vocês, desconcentrar, arruinar a experiência? Pois… Por isso a próxima vez que estiverem num concerto ou mesmo em família estejam presentes de corpo e mente. Da minha parte prometo fazer o mesmo esforço, combinado?

Dia a Dia

12 a 12

Este ano cruzamos os anos… E este ano, pela primeira vez, nao estaremos juntos a comemorar. Apostar na carreira nem sempre e’ fácil e ter de abdicar de estar neste dia contigo foi algo que teve que ser, mas doeu. Mas como sempre, fizeste com que o meu trilho fosse mais fácil. Mais uma vez, deste-me a mão e disseste-me que tudo iria ficar bem. E eu sei que vai, apesar de o meu coração hoje estar bem pequenino porque não posso dormir no teu peito. Daqui a dois dias já estamos juntos.

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Dia a Dia

Busca pela felicidade

Sendo uma filha do país da saudade fui criada em todo o esplendor do cultura lusitana. O fado, o destino e a infelicidade da alma marcaram o meu crescimento. Alguém que foi muito perto de mim um dia disse-me que não devíamos celebrar a felicidade porque isso iria trazer infelicidade. Outra pessoa disse-me que não podíamos ser sempre felizes, que sobreviviamos entre momentos de felicidade.

E durante anos acreditei nisto. Que devemos aceitar a sina, a tristeza que temos na nossa alma Lusa, que ser feliz está reservado a pessoas nas quais não me poderia incluir.

No entanto um dia algo fez click aqui dentro. Não sei bem o momento, nem sequer o ano, mas percebi que a felicidade é algo que vem de dentro e que não tem de estar associado a momentos extraordinários da nossa vida.

Percebi por exemplo, que beber um café numa esplanada a apanhar raios de sol enquanto leio um livro me dá um prazer inimaginável é uma sensação que felicidade suprema. E que deitar a cabeça nas pernas do J. num parque enquanto descansamos de uma caminhada me dá uma sensação de plenitude incalculável.

Depois de perceber isto também percebi que as coisas mas só acontecem se estivermos mentalizados que irão acontecer. Por exemplo, eu nunca perco nada. Esta afirmação não podia estar mais longe da verdade, mas se a repetir bem alto na verdade acredito mesmo nela e quando perco alguma coisa nem me lembro que é assim tão recorrente nem relevo o conhecimento. Isto pode ser traduzido para muitas outras coisas, que não me acontecem coisas más, que os meus amigos e a minha família nunca me fazem coisas que me magoam. E esta mentalização ajuda a que a vida não seja assim tão pesada. Porque a vida e’ tao complicada quanto a fazemos.

E acima de tudo tenhamos coragem de dizer que somos muito felizes!!

Dia a Dia

Não podes sentir falta do que não conheces

Isto começa a parecer quase uma rotina, cada mês é dedicado a uma temática mais sentimentalista. Depois da maternidade, do materialismo e das saudades, este mês abordo uma temática mais abstrata.

Cresci sem a minha mãe. Pronto, quem não sabia, fica a saber agora. Morreu quando eu tinha seis anos e lamento, mas poucas memórias tenho dela. E as poucas que tenho são estupidas. O nosso cérebro decora coisas parvas e o meu parece que só decora coisas mesmo anormais. Por exemplo, no outro dia comprei uma camisa bordada, não porque gostava (vá, até gostava) mas porque me lembrei que a minha mãe usava muito camisas bordadas.

Voltando ao assunto inicial, sinceramente não sinto falta da minha mãe. E porquê? Porque como não me lembro, não sei o que é ter mãe e ninguém pode sentir falta de uma realidade que conhece. Não sinto falta de ter uma mãe galinha que prepara o pequeno almoço e não deixa os filhos sequer se levantarem para ir buscar o garfo. Não só não sinto falta como acho estupido na verdade. Mães que mexem nas malas dos filhos já crescidos, que sofrem porque acham que os filhos estão a esconder alguma coisa. Lamento, mas como isso não foi uma realidade com que cresci não consigo compreender. Com o meu pai nos tinhamos de lhe dizer que tínhamos de ir comprar roupa porque a que tinha me deixava os tornozelos de fora, que havia compromissos ao fim de semana, que faltava assinar os recados na caderneta, que precisava de ir cortar o cabelo. Isso fez-me crescer com um sentido de responsabilidade que não vi muito nas pessoas a minha volta. E sim, cresci com imensas figuras maternais a minha volta: a minha tia, a minha avo, a segunda esposa do meu pai, a minha irmã. Todas foram muito importantes na minha vida e ajudaram-me a ver um pouco mais o mundo das mulheres. Mas não, não sinto falta da minha mãe. E não pensem que tive uma infância dura, pelo contrário felizmente. O meu pai e toda a minha família nos protegeram da dura realidade da vida, daquelas coisas menos bonitas. Oh que infancia boa 🙂

Dia a Dia

Como gerir as saudades

Decidir sair do país não foi assim tão difícil. Estava estagnada num emprego, queria algo novo e ele teve uma proposta irrecusável. Chorei muito nos meses que estivemos separados pelo que quando o momento do salto chegou estava mais que preparada.

No entanto não estava preparada para a saudade. Achei que o facto de já não viver na mesma cidade da minha família iria ajudar mas não estava mais enganada.

Na verdade o título deste post é uma falácia. Não consigo gerir as saudades da família e dos amigos. O whatsapp e as redes sociais ajudam mas não resolvem tudo. Quando a avó adoece, quando o aniversário dos sobrinhos chegam, quando os amigos mudam de casa e tu não estás lá para ajudar, não há nada a fazer. Decidimos que não passamos férias em Portugal. Férias são para nós momentos a dois e o tempo em Portugal é tudo menos isso. Mas vamos muito a Portugal, normalmente umas 5 ou 6 vezes por ano. Se ajuda? Talvez…. Por exemplo este post é escrito no comboio a caminho do aeroporto, depois de uma semana em Portugal (coisa MUITO rara). O coração está partido por deixar a família e os amigos para trás.

Acima de tudo eles sabem que estou aqui. Sabem que posso vir cá sempre que precisarem, que estou sempre do outro lado do telefone. E tento ao máximo criar laços muito fortes, daqueles bem apertadinho!!