Dia a Dia

Ver a vida por um ecrã

Sou mega viciada em tecnologia. Ter sido introduzida ao mundos dos computadores ainda antes de ter entrado na escola e ter um pai geek fez com que sempre tivesse tendência para ser dependente de tecnologia. Nem vou dizer com que idade tive o meu computador, portátil, tablet, telemóvel porque seria vergonhoso e mais uma prova que o meu pai sempre me mimou muito (obrigada papá!!). Com o passar dos anos fiquei agarradissima em especial ao meu telemóvel. Tenho dificuldade em estar sozinha se não for agarrada a este dispositivo, sinto-me esquisita sem ele, vai comigo para todo o lado. O medo de perder algum momento é tal que olhar para o telemóvel é a última coisa que faço antes de dormir e a primeira depois de acordar.

No entanto há limites. Quando estamos com a nossa cara metade, familia, amigos… Quando vamos a um concerto, opera, bailado… Se quanto ao primeiro cenário não é preciso dar explicações e também eu já fiz muito isso, no segundo não conseguem imaginar a raiva que tenho. No sábado passado fui a um concerto e à minha frente estava uma tipa que não parava de publicar cenas no Instagram. Uma foto, um vídeo ou outro ok, mas constantemente??? Alguma vez pensaram que o brilho do vosso telemóvel pode estar a incomodar a pessoa atrás de vocês, desconcentrar, arruinar a experiência? Pois… Por isso a próxima vez que estiverem num concerto ou mesmo em família estejam presentes de corpo e mente. Da minha parte prometo fazer o mesmo esforço, combinado?

Dia a Dia

12 a 12

Este ano cruzamos os anos… E este ano, pela primeira vez, nao estaremos juntos a comemorar. Apostar na carreira nem sempre e’ fácil e ter de abdicar de estar neste dia contigo foi algo que teve que ser, mas doeu. Mas como sempre, fizeste com que o meu trilho fosse mais fácil. Mais uma vez, deste-me a mão e disseste-me que tudo iria ficar bem. E eu sei que vai, apesar de o meu coração hoje estar bem pequenino porque não posso dormir no teu peito. Daqui a dois dias já estamos juntos.

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Dia a Dia

Busca pela felicidade

Sendo uma filha do país da saudade fui criada em todo o esplendor do cultura lusitana. O fado, o destino e a infelicidade da alma marcaram o meu crescimento. Alguém que foi muito perto de mim um dia disse-me que não devíamos celebrar a felicidade porque isso iria trazer infelicidade. Outra pessoa disse-me que não podíamos ser sempre felizes, que sobreviviamos entre momentos de felicidade.

E durante anos acreditei nisto. Que devemos aceitar a sina, a tristeza que temos na nossa alma Lusa, que ser feliz está reservado a pessoas nas quais não me poderia incluir.

No entanto um dia algo fez click aqui dentro. Não sei bem o momento, nem sequer o ano, mas percebi que a felicidade é algo que vem de dentro e que não tem de estar associado a momentos extraordinários da nossa vida.

Percebi por exemplo, que beber um café numa esplanada a apanhar raios de sol enquanto leio um livro me dá um prazer inimaginável é uma sensação que felicidade suprema. E que deitar a cabeça nas pernas do J. num parque enquanto descansamos de uma caminhada me dá uma sensação de plenitude incalculável.

Depois de perceber isto também percebi que as coisas mas só acontecem se estivermos mentalizados que irão acontecer. Por exemplo, eu nunca perco nada. Esta afirmação não podia estar mais longe da verdade, mas se a repetir bem alto na verdade acredito mesmo nela e quando perco alguma coisa nem me lembro que é assim tão recorrente nem relevo o conhecimento. Isto pode ser traduzido para muitas outras coisas, que não me acontecem coisas más, que os meus amigos e a minha família nunca me fazem coisas que me magoam. E esta mentalização ajuda a que a vida não seja assim tão pesada. Porque a vida e’ tao complicada quanto a fazemos.

E acima de tudo tenhamos coragem de dizer que somos muito felizes!!

Dia a Dia

Não podes sentir falta do que não conheces

Isto começa a parecer quase uma rotina, cada mês é dedicado a uma temática mais sentimentalista. Depois da maternidade, do materialismo e das saudades, este mês abordo uma temática mais abstrata.

Cresci sem a minha mãe. Pronto, quem não sabia, fica a saber agora. Morreu quando eu tinha seis anos e lamento, mas poucas memórias tenho dela. E as poucas que tenho são estupidas. O nosso cérebro decora coisas parvas e o meu parece que só decora coisas mesmo anormais. Por exemplo, no outro dia comprei uma camisa bordada, não porque gostava (vá, até gostava) mas porque me lembrei que a minha mãe usava muito camisas bordadas.

Voltando ao assunto inicial, sinceramente não sinto falta da minha mãe. E porquê? Porque como não me lembro, não sei o que é ter mãe e ninguém pode sentir falta de uma realidade que conhece. Não sinto falta de ter uma mãe galinha que prepara o pequeno almoço e não deixa os filhos sequer se levantarem para ir buscar o garfo. Não só não sinto falta como acho estupido na verdade. Mães que mexem nas malas dos filhos já crescidos, que sofrem porque acham que os filhos estão a esconder alguma coisa. Lamento, mas como isso não foi uma realidade com que cresci não consigo compreender. Com o meu pai nos tinhamos de lhe dizer que tínhamos de ir comprar roupa porque a que tinha me deixava os tornozelos de fora, que havia compromissos ao fim de semana, que faltava assinar os recados na caderneta, que precisava de ir cortar o cabelo. Isso fez-me crescer com um sentido de responsabilidade que não vi muito nas pessoas a minha volta. E sim, cresci com imensas figuras maternais a minha volta: a minha tia, a minha avo, a segunda esposa do meu pai, a minha irmã. Todas foram muito importantes na minha vida e ajudaram-me a ver um pouco mais o mundo das mulheres. Mas não, não sinto falta da minha mãe. E não pensem que tive uma infância dura, pelo contrário felizmente. O meu pai e toda a minha família nos protegeram da dura realidade da vida, daquelas coisas menos bonitas. Oh que infancia boa 🙂

Dia a Dia

Como gerir as saudades

Decidir sair do país não foi assim tão difícil. Estava estagnada num emprego, queria algo novo e ele teve uma proposta irrecusável. Chorei muito nos meses que estivemos separados pelo que quando o momento do salto chegou estava mais que preparada.

No entanto não estava preparada para a saudade. Achei que o facto de já não viver na mesma cidade da minha família iria ajudar mas não estava mais enganada.

Na verdade o título deste post é uma falácia. Não consigo gerir as saudades da família e dos amigos. O whatsapp e as redes sociais ajudam mas não resolvem tudo. Quando a avó adoece, quando o aniversário dos sobrinhos chegam, quando os amigos mudam de casa e tu não estás lá para ajudar, não há nada a fazer. Decidimos que não passamos férias em Portugal. Férias são para nós momentos a dois e o tempo em Portugal é tudo menos isso. Mas vamos muito a Portugal, normalmente umas 5 ou 6 vezes por ano. Se ajuda? Talvez…. Por exemplo este post é escrito no comboio a caminho do aeroporto, depois de uma semana em Portugal (coisa MUITO rara). O coração está partido por deixar a família e os amigos para trás.

Acima de tudo eles sabem que estou aqui. Sabem que posso vir cá sempre que precisarem, que estou sempre do outro lado do telefone. E tento ao máximo criar laços muito fortes, daqueles bem apertadinho!!

Dia a Dia

Quando contratempos acontecem

Nós planeamos as viagens ao pormenor. Sabemos onde ir, como ir, o que comer e onde vamos ficar. Temos seguros de viagem. Imprimimos todas as reservas. Temos vários cartões de débito e crédito (12 no total!!). Trocamos moeda antes de viajar. Vemos até índices de criminalidade.

Mas às vezes contratempos acontecem. E hoje, às 7:58 da manhã a terra tremeu em Osaka. Depois dos momentos de pânico, de vermos que estávamos bem, de avisar a família, percebemos que os planos de hoje não iam acontecer. Não há metro, não há comboio, os autocarros estão cheios, não conseguimos alugar carro. Resultado? Sentámo-nos numa esplanada a aproveitar o bom tempo, pedimos o café e usamos a internet. Alguma solução haveria de aparecer.

Situações destas acontecem. Não há como prever, não há como evitar… Sobrevivemos sem nenhuma consequência a um tremor de terra. Houve mortes, houve feridos, houve danos materiais, mas nós escapamos sem um único arranhão. Há centenas de pessoas nas estações sem saber como irao para casa hoje. Nós estávamos de partida para kyoto e demorámos mais de 4 horas para fazer um percurso que deveria ter sido feito em meia hora. Andamos de estação em estacao até conseguir apanhar um transporte para kyoto. Dentro do azar somos uns sortudos, é o que podemos afirmar.

(Post escrito a 18 de junho, 4 horas depois do tremor de terra. Não foi publicado logo para não preocupar a família e os amigos)

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Dia a Dia

Sou o que sou e não o que tenho

Depois do post do mês passado sobre a maternidade este mês abordo a questão do materialismo.

Cada vez mais me defino pelo que sou e não pelo que tenho. Isto pode parecer estranho de alguém que trabalha numa área altamente materialista mas corresponde cada vez mais à verdade.

Quando alguém me pede para descrever a Joana, jamais digo “sou a Joana e tenho uma mansão (piada!), um jaguar (ah! ah! ah!) e um closet cheio de roupa (I wish!).” Seria simplesmente estúpido, certo? Então porque é que continuamos a esfregar na cara dos outros o que compramos, os hotéis onde ficamos, as viagens que fazemos? Cada vez mais o meu Instagram mostra sentimentos e não o que tenho/fiz porque estou numa batalha interior para ser mais assim. Fotos antigas em que a santíssima Trindade aparece abraçada (pai, mana e eu), a minha sobrinha a saltar e cantar, fotos de locais que despertaram determinadas sensações.

Isto não significa que não tenho bens materiais ou que não sou consumista. Simplesmente o que tenho, o que paguei com dinheiro (ou me foi oferecido) não é o que eu sou, não faz parte da minha personalidade. São bens que me dão conforto, um estilo de vida, gozo, etc. Mas não passam disso, de objectos ou serviços. O mais importante continua a ser o que tenho cá dentro e dou ao mundo.

Bem sei que ter um blog sobre viagens faz transparecer a ideia de que estou a esfregar na cara dos outros o que tenho. Não podia ser mais errado, na verdade o blog surgiu porque os amigos começaram a pedir dicas sobre viagens e com o tempo informação preciosa foi—se perdendo. Este espaço não é mais do que um “despejar” de informação que me vai no cérebro e que não quero perder.

“As coisas são so coisas e a vida é o que fazemos dela.” – Diogo Amaral

Dia a Dia

It’s my birthday!!

Hoje não há o post habitual. Hoje faço anos, 32, e como (não) preciso de desculpas para viajar estamos na Roménia a celebrar em estilo o aniversário desta que vos escreve. Por isso parabéns para mim, para vocês que tem a sorte de ler isto (ah, ah, ah) e vão aproveitar o dia, feriado para quem está no Reino Unido!

Nas próximas semanas posts sobre a Roménia serão publicados!

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