Dia a Dia

Castelos no ar

Eu sou assim por natureza. Crio castelos no ar, projetos que não conseguirão sair do papel, ou ate da cabeca. Talvez porque tenha uma profissão altamente criativa, mas na verdade sou mesmo assim. O meu pico normalmente é atingido nos minutos antes de dormir, quando estou já deitada na cama, de luz apagada a ver se o sono chega. E isto irrita-me profundamente porque na maioria das vezes não me lembro em que é que estava a pensar quando acordo e fico o dia inteiro a pensar nisso.

O meu último “castelo no ar” foi concluído ontem ha noite. Como conseguem ver na descrição eu sou do Luso. No entanto já não tenho família direta a viver lá e não vou lá há mais de 6 anos. Mantenho contacto com amigos e família afastada mas nunca mais la fui. E na minha cabeça fiz um projeto, ir dois dias la, pesquisei ate hotéis, onde ia comer, onde iria… Ate sitios onde queria tirar fotos… Bem concreto nao e’? Pois, mas esqueci-me de um pormenor, nao disse ao J. E’ verdade que não marquei nada mas esqueci-me de dizer a pessoa que supostamente irá comigo… Quando falei com ele, tinha o plano todo pensado e ele foi apanhado de surpresa… Não que tenha dito que não, pelo contrario. Estou a tentar conectá-lo às minhas origens e ele gosta de ir lá, mas ficou abismado pelo detalhe do plano. Mas felizmente ele conhece-me bem e sabe que nao faco por mal…

Mas estes castelos no ar nao sao so sobre vida pessoal. As vezes faço campanhas e eventos na minha cabeça, sonho com eles e de manhã quando acordo nao consigo lembrar-me o que era.

Mesmo este post foi começado ontem a noite, na minha cabeça. E claro, nao me lembrava exatamente o que queria dizer, com muita pena… Gostava de ter o pensatório que o Dumbledore tinha, seria super util, tenho a certeza (alerta Harry Potter geek!!)

Dia a Dia

Resoluções para 2019 – balanço meio do ano

Estamos exatamente a meio do ano. E eu, tal como todas as pessoas, esqueci-me que tinha feito resoluções de ano novo… Mas felizmente este blog existe para me relembrar e poder fazer um balanço. E então aqui vão, apenas para relembrar, as 6 resoluções que fiz no início do ano:

– perder 8kgs
– fazer exercício duas vezes por semana (mesmo que isso implique que leve comigo as sapatilhas em viagem)
– ler pelo menos um livro por mês
– viajar apenas uma vez por mês (excluindo as vezes que viajamos para Portugal)
– continuar a escrever neste blog pelo menos duas vezes por semana
– fazer um curso por semestre: um de línguas e um de desenvolvimento de algo para o trabalho

E então como vamos de resoluções?

– perder 8 kgs – Comecei bem o ano e perdi quase 3kgs dos 8 que queria mas já os recuperei…. Não começamos bem…

– exercício duas vezes por semana. Depende da semana. Mas está bem melhor e tanto em Cuba como Cabo Verde fui ao ginásio no hotel!

– ler 1 livro por mês – Já li ou ouvi (adoro audio books) 10 pelo que sim, este está a correr bem.

– viajar apenas uma vez por mês – Está melhor mas não está fantástico… Continuamos a estar um bocado cansados…

– escrever no blog – Sem dúvida que continuo a ser assídua aqui, pelo menos 3 vezes por semana!

– fazer um curso por semestre – Falhado redondamente!!!

E as vossas resoluções, como estão a correr?

Dia a Dia

É possível ser feliz pelos outros? Parte 2

Lembram-se do post sobre ser feliz pelos outros? Pois bem, a Felicidade nasceu hoje. O nome dela nao e’ Felicidade mas por uma questao de protecao de identidade vamos chamar-lhe assim. A Felicidade e’ filha de um amor como nao ha muitos. Nao me vou alongar muito na historia porque nao e’ minha e como tal nao tenho direito de a contar.

Digamos que a Felicidade e’ a razao pela qual nunca pergunto a ninguém quando e’ que estao a pensar em ter filhos. Sei que sou chata sobre este assunto que ja mencionei aqui. Mas nunca e’ demais falar neste assunto. Sou constantemente intimada principalmente pela familia quando me perguntam quando e’ a minha vez.

E como e’ esquisito vermos os nossos amigos se tornarem pais… E’ muito bom mas esquisito. A mae da Felicidade e’ minha amiga praticamente desde que nasci e sei que vai ser ate morrer. E eu mal posso esperar por ver ao vivo a Felicidade, por pegar na maozinha dela tao perfeita, por te-la aninhada no meu colo…

 

(mais uma vez relembro que os posts deste blog nao sao publicados no dia em que os escrevo para protecao da privacidade e seguranca dos que me rodeiam e de mim mesma)

 

Dia a Dia

Inspiracao

Às vezes perguntam-me como aguento o ritmo, como arranjo inspiracao para escrever.

Primeiro que tudo escrever sai-me naturalmente. Desde cedo, quando comecei a descobrir as letras, que percebi que o mundo da escrita era algo fantastico. Mantive diarios durante imensos anos, sempre escrevi para mim, mesmo que segundos depois o apagasse. Em segundo lugar adoro viajar! E a melhor forma de aliar estas duas paixões (escrever e viajar) e escrever sobre viajar!

Mas sim, as vezes passo por períodos que não sai nada. Que não consigo sentar e escrever. Que nao me consigo concentrar. Normalmente isso acontece quando estou a escrever sobre uma viagem que não acabou de acontecer. Quando isso acontece respeito o meu cérebro. Eu trabalho numa área super criativa e há momentos para criar e momentos para introspecção. Como eu deixo posts escritos com muita antecedência (entre um a tres meses) posso tirar estes dias, semanas de pausa sem me sentir culpada. Sei que quando a inspiração regressar sou capaz de escrever 3 posts por dia durante uma semana.

Acima de tudo este blog e’ uma distração para mim. E sei que nao devo nada a ninguém se falhar um dia, ou uma semana. Há um ano e meio que escrevo consistentemente aqui, no entanto isso não quer dizer que o va continuar a fazer.

Mas nada temam, nao tenho NENHUMA intenção de parar de escrever aqui. E nao parem de comentar, eu ADORO receber comentarios!

 

Dia a Dia

Hábitos ingleses que já adquiri

Depois de cinco anos e meio no reino unido a aculturação já se faz notar… Não só começo a ter dificuldade em falar português sem me engasgar como alguns hábitos culturais dos ingleses já me estão a entrar no dia a dia.

Pontualidade britânica – podia ser mito mas não é. Pontualidade é algo muito sério por aqui e considerado de mau gosto chegar atrasado sem avisar. Se me for encontrar com amigos portugueses sou mais relaxada mas não mais do que 10 minutos.

Troquei o café por cha inglês – e mais tarde por chá de frutas por causa da cafeína.

Como scones com “clutted cream” – não sempre porque não é nada saudável mas se comer um scone vai ser sempre com clutted cream.

Evito o contacto pessoal – admito que me tornei muito menos social com pessoas que não conheço. Se existir um assento isolado num comboio sento-me nesse para garantir que não vou ter de falar ou interagir com pessoas. Se puder resolver um assunto online em vez de ligar ou ir ao sítio melhor!

Falo mais baixo – mas mesmo assim as pessoas ainda dizem que falo alto…

Evito tocar em pessoas – teve de ser, notei que era esquisito para as pessoas com quem trabalho se lhes tocasse no ombro para chamar a atenção

Almoço rápido – em meia hora no máximo. Mas não em frente ao computador!

Agenda – os meus compromissos pessoais são marcados com semanas (se não meses) de antecedência!

Marcar – não apareco no cabeleireiro, num restaurante, no cinema ou no teatro sem marcar. Não se esqueçam que vivo numa zona densamente populada por isso aparecer no meu restaurante preferido de sushi sem marcação não da, vão estar cheios!

Pedir desculpa – os ingleses pedem desculpa por tudo e mais alguma coisa e eu estou assim (se bem que me lembro de o meu pai se irritar há imensos anos atrás quando já fazia isso).

Não usar lençol de cima – Por aqui só se usa lençol de baixo (com elástico!) e capa de edredão, que e mudado semanalmente. Nunca vi lençol de cima à venda.

Meal deal – à hora de almoço há imensas opções nos supermercados para almoço. Entre estas opções encontram-se os meal deals que são menus normalmente baratos (£3) que incluem uma sandes, um pacote de batata frita (ou fruta) e uma bebida. Não o faço todos os dias até porque levo muitas vezes comida de casa mas e uma ótima opção para um almoço de última hora.

Jantar cedo – em casa jantamos quase sempre no máximo às 20h mas é super normal ser convidada para jantares as 19h ou as 18h! Na verdade até gosto porque chego a casa cedo!

E por aí? Habitos que tenham mudado?

Dia a Dia

Obrigada 32!

Hoje faço 33 anos. E digo adeus aos 32 sem remorsos. Eu gosto de fazer anos, de marcar o tempo. Ainda por cima o meu aniversário é quase a meio do ano pelo que aproveito para refletir.

Este ano descobri o meu primeiro cabelo branco. Sim, fui dessas sortudas que nao tinha cabelos brancos até aos 32… Ainda me lembro de dar um gritinho e ir até ao quarto mostrar ao J. quase sem mexer a cabeça. E ele, que já tem imensos cabelos brancos riu-se! Depois deste veio outro, e outro e outro. E depois desapareceram… Juro, nao os consigo encontrar!

Com 32 anos tive de voltar a usar óculos porque a vista já começa a queixar-se. O corpo começa a mostrar sinais da passagem do tempo.

Mas na verdade não me importo. A vida que construi(mos) e’ muito boa. Tão boa que tenho medo que se mexer estrague.

Por isso um brinde aos 33, são muito bem-vindos!

 

 

Dia a Dia, Viagens

Weekend Breaks

Muita gente acha que somos loucos porque fazemos imensas viagens de fim de semana. Sair mais cedo a sexta, correr até ao aeroporto, apanhar um avião, andar quilómetros sem fim, dormir num hotel, regressando no domingo, apanhando outro avião, conduzir, chegar a casa às 23 (ou 24h, ou 1, ou 2). Perguntam-nos como aguentamos o ritmo, começar a semana mais cansados do que quando acabamos.

A verdade é que eu preciso destas pausas. Estes dois dias que passamos noutro país, a conhecer um novo destino, são como pão para a boca para mim. Tenho um trabalho exigente. Trabalho sempre a 110% (e não, não estou a ser convencida, isto é me dito constantemente), dedico-me ao meu trabalho de forma quase irracional. Mas quando viajo tudo isto fica para trás. Os problemas, os budgets, as vendas, o footfall (desculpem quem não é da área!). Tudo isto fica fechado num compartimento durante o fim de semana. E estas pausas, que são muitas vezes de menos de 48 horas, sabem-me a semanas de férias.

E depois há o facto de eu e o J. passarmos 48 horas dedicados um ao outro. Não há televisão, livros, almoços com família, só existe ele e eu. Durante a semana, apesar de não termos filhos, a rotina instala-se. Há o ginásio, os jantares, arrumar a casa, organizar o dia a dia, um pouco de televisão ou de leitura e são horas de dormir. Mas nestas viagens vivemos um para o outro, os dedos entrelaçados, conversas a olhar no fundo do olho do outro, perceber o que está bem, o que precisa de ser corrigido. Planear o futuro, onde vamos poupar, onde queremos investir. Tudo isto é feito em viagem…

Escrevo este post mim domingo a noite a regressar de Bologna (posts sairão no blog daqui a umas semanas) e tive de fazer um esforço mental para me lembrar onde estacionei o carro na sexta feira, há dois dias atrás! Porque a minha cabeça acha que sexta feira não foi há dois dias atrás mas sim há uma semana. Porque quando eu desligo, desligo mesmo. E sim, é cansativo. Sim, quando marco os voos nunca penso nisto, mas há vezes que não me apetece ir. Mas vou, mas vamos. Mesmo que amanhã me custe muito levantar. Mesmo que precise da dose de cafeína que não devia beber. Mesmo que amanhã me deite as 21. Vale a pena, vale sempre a pena. Porque estas pausas me dão toda a energia que preciso para aguentar o meu trabalho tão exigente…

Dia a Dia

Emigrar é difícil?

Decidimos sair do país há mais de 5 anos. Na altura pareceu uma loucura principalmente porque a palavra emigrar tem uma conotação muito negativa. Emigrar, na cabeça de quem fica implica aceitar um emprego abaixo da educação que se tem, viver um ano sem ver a família, fazer sacrifícios infinitos. Mas a realidade para mim foi bem diferente. Em 2018 por exemplo vi a minha família 7 vezes. Sim, em média mais do que 1 vez a cada dois meses. E não foi um almoço rápido que normalmente se tem uma vez por mês em casa dos pais. Foram dias a fio de convivência, almoços, jantares, passeios. E a vida no Reino Unido é exatamente igual à que tínhamos em Portugal: casa, trabalho, jantares com amigos, cinema, compras, viagens. Por isso cada vez que as pessoas nos perguntam como é a vida por aqui eu respondo: igual à vida daí. E não é por mal, é a mais pura das verdades. Claro que há diferenças, temos um emprego onde as pessoas se sentem agradecidas porque aceitamos trabalhar para elas e não nos tratam como escravos, temos dinheiro para fazer outras coisas mas a essência da vida está la… Vamos ao supermercado, tal como íamos em Portugal, vamos a concertos, tal como íamos em Portugal, ficamos presos no transito tal como acontecia em Portugal.

Falo com os meus amigos que estão em Portugal com mais frequência do que quando lá morava, vejo amigos com mais frequência, combino viagens com a família e amigos para destinos fora de Portugal… Sei que sou sortuda mas caramba, a sorte da muito trabalho!

Ha umas semanas atras falava com uma amiga minha que so em situacoes muito concretas e’ que sinto que nao moro em Portugal. Quando, por exemplo, vou a um musical a Londres ao final do dia. Como moro fora de Londres e cada vez mais me aborrece a confusao (nao se esquecam, sao 10 milhoes de pessoas) cada vez menos vou a Londres, ou quando vou normalmente e’ a trabalho. Mas ha dias, quando por exemplo saio de Waterloo e me deparo com o Big Ben ou o London Eye que me apercebo que de facto nao vivo em Portugal. Falar ingles tornou-se parte da minha essencia, e’-me tao normal ter uma conversa na minha lingua materna como na do pais que me acolheu pelo que nao noto… Simplesmente nao noto. Claro que custa nao estar ai quando ha aniversarios, quando alguem esta doente. Mas por acaso estive em Portugal quando o meu pai foi operado, fui eu que o levei e trouxe do hospital, que cuidei dele. Vou estar este ano em alguns aniversarios, mas tal como quando vivia em Lisboa, nao vou estar em todos. Para o ano a minha irma tem um aniversario especial (20! cof, cof) e certamente nao irei faltar! E eles sabem que estamos aqui, que podem sempre contar connosco. Londres conta com mais de 20 voos por dia, o Porto quase 10, nunca faltamos a um casamento por falta de voos!

Dia a Dia

Processo de compra de casa em Inglaterra

Primeiro aviso: eu não trabalho nesta área, este post foi feito APENAS com base na minha experiência pessoal.

Segundo aviso: no título escrevi Inglaterra de proposito. Sei que o processo de compra de casa na escócia não tem nada a ver com o de Inglaterra. Não faço ideia de como é em gales ou na irlanda do norte pelo que apenas devem considerar esta informação para Inglaterra.

Terceiro aviso: esta explicação e’ apenas para casas que vão ser usadas como primeira habitação e seja a primeira vez que estão a comprar casa.

Quarto e ultimo aviso: este e’ o post mais longo que escrevi ate hoje!

Comprar casa por aqui é provavelmente dos processos mais stressantes que pode existir. O principal motivo é o facto de não existir um contrato de promessa de compra e venda, pelo que até existir a troca de contratos de venda (na verdade até receber a chave!) o negócio pode cair. E é bastante normal cair! Tivemos amigos muito próximos que avisaram o senhorio que iam sair do apartamento que arrendaram e o negócio da casa que iam comprar caiu e ficaram sem casa. Felizmente têm uns amigos altamente (nos!!!) que os receberam e onde ficaram até arranjarem outra casa. Vamos lá então por passos!

1) a primeira coisa que devem fazer é verem como está o vosso “credit score”. Se não sabem o que é pesquisem aqui. Sites como o Noddle ou o Experian dão esta informação gratuitamente. Se quiserem perceber o que está a influênciar o vosso credit Score (ou pontuação de crédito) podem pagar uma mensalidade neste site para receberem mais informações. Coisas como estarem inscritos para votar, terem cartões de crédito que pagam o saldo todo mensalmente, terem contas bancárias já com alguns anos ou não terem mudado de casa muitas vezes influência positivamente o credit score. Se o vosso credit score for bom avancem para o ponto 2, se não for aconselho que esperem alguns meses e trabalhem para melhorar esse valor, ou então não irão conseguir emprestimos à habitação nos principais bancos.

2) Agora é altura de refletir um pouco. Ja perceberam como esta o vosso credit score, está na altura de perceber duas coisas: qual o vosso budget e se tem dinheiro para comprar uma casa.

  • Qual o vosso budget? Quando compramos casa sabíamos que podiamos pedir emprestado um determinado valor. No entanto sabíamos que nao queriamos viver estrangulados por uma prestação para a casa que não nos deixaria confortáveis. Assim estabelecemos um valor de prestaçao que nos sentimos confortáveis e sabíamos qual o nosso tecto máximo dentro daquela prestação.
  • Quanto dinheiro preciso de ter para comprar uma casa? Todos os custos abaixo tem de ser pagos por vós, não podem pedir dinheiro emprestado e vão ter de provar de onde veio este dinheiro.
    • 10% do valor da casa para o depósito (ou 5% se for uma casa nova e entrarem num esquema help to buy – tenham em atenção que este esquema nao e’ tao fantastico como parece)
    • Stamp Duty – podem usar a calculadora online do governo para saberem
    • Taxa de avaliação – nem todos os bancos cobram isto mas pode ser entre £150-£1,500
    • Taxa do Surveyor – este valor pode estar junto com o anterior. Como e’ muito normal por aqui comprar uma casa usada e’ muito normal contratar um Surveyor para ver as condições da casa. Existem varios tipos de inspeccoes, desde mais básicas ate estruturais. O custo pode ir de £250 ate £1000 normalmente.
    • Custos com solicitador – são os solicitador que fazem todo o processo legal de compra de casa e fazem as pesquisas de documentos necessarios. Normalmente este custo e’ de cerca de £800 a £1800 tipicamente para uma venda “normal”, no entanto se existirem complicações, eles cobram depois á hora para resolver
    • Outros custos: Search Fees, Land Charges Search, Land Registry Search, HM Land Registration fee, Seguro, etc: gastamos cerca de £600

3) Vão ao vosso banco pedir um “mortgage in principle”. Isto não só vos vai dar uma indicação de quanto podem pedir mas também se de facto estão numa boa posição financeira (ver ponto 1). Este documento não vos faz refém de pedir um empréstimo no vosso banco, mas usamos para provar que podíamos comprar a nossa casa. Acabamos por ir para outro banco que nos ofereceu uma melhor taxa. Podem ter uma ideia de quanto vão conseguir pedir emprestado online mas se tiverem um papel do banco a agência imobiliária fica mais descansada. Por norma os bancos emprestam cerca de 4 a 4.5 vezes o ordenado bruto do agregado familiar. Aproveitem esta visita para perceberem que tipo de emprestimos existem. E’ um sistema bastante complexo mas muito mais personalizado do que vi em Portugal. Muito simplificadamente existem dois tipos de empréstimo: apenas juros ou amortização de capital. Depois dentro destas opções podem optar por taxa de juro fixa ou indexada ao banco de Inglaterra. Por norma os empréstimos tem taxas promocionais durante 2, 3, 5 ou 10 anos que aumentam depois deste período fixo. O que acontece e’ que a cada x anos (dependendo se entraram num acordo com 2, 3, 5 ou 10 anos de taxa promocional) tem de voltar a renegociar o empréstimo todo.

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Imagem retirada daqui

4) Chegaram ao ponto 4? Optimas noticias! Agora e’ altura de passar à prática. Escolham a zona que querem morar, e vejam casas. Os melhores sites de pesquisa de casas são o right move e o zoopla porque agregam as casas de todos os agentes imobiliários, podem meter filtros por zona, por preco, quartos, etc. Algumas dicas para esta pesquisa:

  • Vejam se a propriedade que vão comprar tem um leasehold (tipicamente apartamentos) ou freehold (tipicamente casas)
  • Se for um Leasehold precisam de saber quantos anos faltam no acordo. A maioria dos bancos não emprestam dinheiro se a “lease” for inferior a 70 anos.
  • Tenham em atenção as “cadeias“. E’ tipico por aqui haver cadeias de venda e compra de casa. Estas podem ser um pesadelo porque a probabilidade de o negócio não se concretizar e’ maior porque depende de mais pessoas. Foi o caso dos nossos amigos que mencionei acima.
  • Caso optem por um apartamento vejam quanto custa o condomínio e a renda que tem de pagar ao leasehold
  • Perguntem pelas “covenants”, porque se forem complexas pode fazer-vos desistir do processo de compra.
  • Se gostarem de uma casa pecam uma segunda visita. Ou se forem loucos como nós e gostarem mesmo digam logo que querem. Agora a serio, nos gostamos tanto da nossa casa que dissemos na primeira visita que queríamos. Nao tinhamos pressa mas gostamos mesmo da casa e da zona.
  • Quando pesquisarem online ponham o filtro do preço um pouquinho acima do que querem pagar e negociem o preço. Foi o nosso caso, conseguimos tirar quase £15,000 ao preco pedido. No entanto isto depende do estado do mercado.
  • O meu chefe ensinou-me algo que achei fantástico: “podes transformar uma ma casa numa boa casa mas não podes transformar uma ma zona numa boa zona”. Isto foi fundamental. Vimos casas em zonas que não me via morar. E mais do que a casa para mim foi importante morar numa zona que eu gostasse. Nao compramos a maior casa que vimos, nem a mais barata, mas ADORAMOS a zona onde moramos

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5) Encontraram uma casa que gostaram? Facam uma oferta. Sugiro que retirem entre 5% and 10% do valor pedido e comecem a negociar por aí. Isto depende não só do estado do mercado mas por exemplo se nao estao em nenhuma cadeia de venda de casa e’ um fator negocial importante

6) Conseguiram acertar um valor? Fixe. Está na altura de resolverem o empréstimo e arranjar um advogado. A agência imobiliária com quem compramos a casa recomendou um intermediário para negociar o empréstimo por nos e advogados. Seguimos a recomendação deles tanto para um como para outro. O advogado foi muito fixe, o intermediário do empréstimo a pior empresa com quem já tive de lidar (com direito a reclamação no final).

  • Caso precisem podem pesquisar solicitadores online, comparar orcamentos, etc. Um conselho e’ escolherem um que tenha uma proteção caso o o negócio não se concretize poderem fazer o próximo sem pagarem mais.
  • O intermediário para negociar o empréstimo em nome do cliente e’ chamado de Broker/Mortage advisor e basicamente faz uma pesquisa por vocês sobre os vários bancos. Na nossa opinião o que eles fazem pode qualquer um fazer sem grande trabalho hoje em dia num comparador como este por exemplo.

7) Agora começa o jogo da espera. Dependendo do quão céleres os advogados, o vendedor e o banco são mas tipicamente nesta altura tem de:

  • Enviar recibos de vencimento
  • Enviar extratos de conta para provar os vossos hábitos de compras e como acumularam o dinheiro que precisam para pagar os custos do ponto 4
  • Fazer e receber o resultado do survey. Se existir algum problema com a casa pode levar a uma desistência da vossa parte ou a negociação do preço.
  • Resultado das searches. Nao se esquecam de ver estes documentos com MUITA atenção!
  • A minha sugestao e’ que façam um follow up todas as semanas com o banco e com os advogados. Nao se esquecam, sao vocês que estão com pressa, nao sao eles…. No nosso caso pedimos a agência imobiliária o contacto do vendedor e sempre que o processo ficava pendurado mandavamos-lhes uma mensagem

8) Quando já tem uma resposta do banco e os advogados já receberam toda a documentação e vocês não tem dúvida passa-se então para a “exchange” (troca de contratos. O exchange e’ o ato que confirma que de facto a venda vai acontecer. Até aqui vocês ou o vendedor podem desistir do processo sem problemas. E’ também nesta altura que tem de pagar quase todos os custos do ponto 4. Existem infelizmente pessoas desonestas que neste dia resolvem que já só vendem a casa por X mais, ou o comprador a dizer que já só da Y pela casa. No nosso caso correu tudo bem mas conhecemos casos em que isto aconteceu. Entre exchange e completion, a casa ainda não é vossa, mas se acontecer alguma coisa somos e’ o comprador que que paga (ex fogo, inundações, etc…), daí ser preciso o seguro.

9) Quando marcam a exchange e’ também marcada a completion que e’ o dia em que a casa passa para vosso nome e recebem as chaves da vossa nova casa. Para fazer a exchange, o dinheiro tem de estar na conta dos advogados… Por isso tem de se transferir o dinheiro para os advogados com 1 ou 2 dias de antecedência. O dinheiro e’ sempre tratado entre advogados, o empréstimo nunca chega a tocar na nossa conta bancária.

10) Tipicamente o completion e’ feita uma semana depois da exchange. Pode ser mais rápido mas implica que paguem uns extras. Se a completion não se realizar na data marcada, o culpado tem de pagar juros á outra parte (diariamente)

O processo e’ longo, chato e stressante. No nosso caso durou cerca de 2 meses desde o momento que fizemos a oferta, o que e’ o prazo mais curto que ja vi entre amigos. O normal e’ demorar entre 2 a 3 meses mas pode ser ainda mais se for um negócio em cadeia.

 

 

Dia a Dia

Ver a vida por um ecrã

Sou mega viciada em tecnologia. Ter sido introduzida ao mundos dos computadores ainda antes de ter entrado na escola e ter um pai geek fez com que sempre tivesse tendência para ser dependente de tecnologia. Nem vou dizer com que idade tive o meu computador, portátil, tablet, telemóvel porque seria vergonhoso e mais uma prova que o meu pai sempre me mimou muito (obrigada papá!!). Com o passar dos anos fiquei agarradissima em especial ao meu telemóvel. Tenho dificuldade em estar sozinha se não for agarrada a este dispositivo, sinto-me esquisita sem ele, vai comigo para todo o lado. O medo de perder algum momento é tal que olhar para o telemóvel é a última coisa que faço antes de dormir e a primeira depois de acordar.

No entanto há limites. Quando estamos com a nossa cara metade, familia, amigos… Quando vamos a um concerto, opera, bailado… Se quanto ao primeiro cenário não é preciso dar explicações e também eu já fiz muito isso, no segundo não conseguem imaginar a raiva que tenho. No sábado passado fui a um concerto e à minha frente estava uma tipa que não parava de publicar cenas no Instagram. Uma foto, um vídeo ou outro ok, mas constantemente??? Alguma vez pensaram que o brilho do vosso telemóvel pode estar a incomodar a pessoa atrás de vocês, desconcentrar, arruinar a experiência? Pois… Por isso a próxima vez que estiverem num concerto ou mesmo em família estejam presentes de corpo e mente. Da minha parte prometo fazer o mesmo esforço, combinado?